A Aparente Missão Impossível de se Fazer um Parque em Braga

Paris, Jardins do Luxemburgo, fotografia de Luís Tarroso Gomes
Paris, Jardins do Luxemburgo, fotografia de Luís Tarroso Gomes

originalmente publicado aqui

Faz-me confusão ver pessoas a fazer exercício na zona da rodociclovia entre carros, camiões e autocarros. Parece-me o sítio mais desinteressante que consigo imaginar para correr ou andar de bicicleta. Mas a verdade é que por muito que pense, não consigo encontrar um local melhor na cidade ou arredores.

Está quase a chegar ao fim 2011 e apesar dos inúmeros anúncios ao longo dos últimos 30 anos – parque Norte, concurso para o monte Picoto nos inícios dos anos 80, sistemáticos arranjos das margens do rio Este, ecoparque das Sete Fontes anunciado em 2005, entre outros – a verdade é que não temos nada que se assemelhe a um parque. Pior: todos estes projectos inexistentes já custaram bastante dinheiro (era interessante saber quanto) e estamos no mesmo ponto de há cem anos. No Picoto avança-se sem pensar quem vai pagar as indemnizações das expropriações, nas Sete Fontes parece que se está a discutir a área verde que vai servir as urbanizações que lá querem encaixar e do Parque Norte já nem se ouve falar. Ou seja, não será tão cedo que deixaremos de utilizar a rodociclovia.

É certo que, tal como há cem anos atrás quando a cidade tinha apenas 25000 habitantes, temos a velhinha mata do Bom Jesus e o Parque da Ponte. Mas o primeiro é um monte e não um parque moderno e em S. João da Ponte, se retirarmos o lago, fica tanta área verde como na Rotunda da Boavista.

Não sou engenheiro nem arquitecto mas não vejo qual a dificuldade de se fazer um parque numa zona tão verde e húmida como o Minho. O que me parece complexo é urbanizar e fazer loteamentos e, no entanto, nas últimas três décadas construíram-se milhares de prédios que fizeram sumir imensas quintas! Embora não fosse impossível, não é preciso começar por fazer os parisienses Jardins do Luxemburgo com os seus 23 hectares (na fotografia). Uma área verde com dimensão suficiente para não se ver o fim mal se entra seria um bom começo.

Já sei que um dia vamos ter um parque. É uma questão de aguardarmos mais. Entretanto, até que esse urgente dia chegue, terão nascido, crescido – e até morrido – milhares de bracarenses, terão passado pelas universidades um sem fim de estudantes, terão visitado a cidade inúmeros turistas, e por aí em diante…

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