Economia Local

Madrid 2008

Não são os bracarenses que têm de andar atentos ao que se passa no mundo para confrontar com o que por cá se faz. Esta tarefa cabe a quem em nome do interesse colectivo e com o dinheiro público promove os eventos. Mas se os organizadores não se dão a essa maçada, não se podem lamentar que alguém o faça e tire ilações.

A Noite em Branco nasceu por mão do Município de Paris em 2002 como um percurso artístico nocturno de redescoberta da cidade através da participação de espaços prestigiados, abandonados e insólitos. Museus, galerias, centros culturais, escolas, teatros mas também cafés, lojas, associações estiveram a noite toda de portas abertas apresentando projectos diferentes do habitual com o apoio da Câmara. O enorme sucesso desta iniciativa fez com que inúmeras cidades no mundo se juntassem a Paris. Em 2012 eram já 19 cidades. Braga, estreante nesse ano, não consta da lista oficial. Não é por acaso. A Nuit Blanche parisiense, La Noche en Blanco em Madrid, a noite sem dormir, chega a Braga como Noite Branca, um erro crasso de tradução que leva os “distraídos” organizadores a centrarem-se na cor branca e a desviarem-se por completo do propósito deste grande evento. Por exemplo, em Madrid, em 2010, a Câmara fez uma convocatória com seis meses de antecedência para que artistas ou colectivos de quaisquer áreas se candidatassem a um apoio até 10.000€ por projecto. A agenda desse ano tinha 130 páginas de eventos, do teatro à ciência. Em Braga, pelo contrário, aposta-se na indumentária e há apenas 3 semanas nada constava sobre a programação. Por “ausência de recursos próprios” a ex-CEJ é forçada a contratar a 25/8 por ajuste directo de 15.000€ a conceituada Opium. Um desenrascanço que significa que a poucos dias do evento ainda estavam a ser convidados artistas para imaginarem o tal espectáculo novidade…

Se é certo que a noite branca favorece a restauração, que diriam os demais bracarenses se os 150.000€ de orçamento fossem distribuídos pelos melhores 150 projectos, se qualquer pessoa ou grupo pudesse candidatar a sua ideia de participação que seria apreciada por um júri, se todos os museus, escolas, espaços culturais e demais instituições estivessem abertos noite dentro, se com tempo se trabalhasse colectivamente numa festa de arte voltada para o mundo? Será, afinal, a Noite Branca de Loulé ou a Nuit Blanche de Paris que beneficia mais a economia local?

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