Venha o Segundo

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Aconteça o que acontecer nas eleições de Domingo, Braga vai ter direito a um segundo presidente. Assusta-me, porém, que exista quem esteja seguro que Mesquita Machado foi um grande autarca. Mas terá sido o melhor por comparação a quem? E se Braga, como qualquer outra cidade do país, tivesse sido gerida por meia dúzia de presidentes uns melhores, outros piores? Imaginem que entre eles tínhamos tido a sorte de ter um presidente dinâmico como Lopes Gonçalves (1912-15) que em apenas 3 anos revolucionou Braga ou de um homem à frente do tempo como Manuel Joaquim Gomes que foi buscar à Suíça o modelo do elevador do Bom Jesus, na altura em que esta era a tecnologia mais avançada do mundo.

Mesquita Machado não foi um visionário. Entretido nos tempos livres a jogar à sueca, nunca quis saber de todas as outras cidades que nos poderiam ter servido de inspiração e é sintomático que se gabasse de passar férias em Braga. Como é visível numa simples volta de carro, Braga cresceu à toa sem qualquer preocupação de articulação com a velha cidade. Expandiu-se pelas quintas que se iam desmantelando e que um pequeno grupo de empreiteiros em ascensão havia comprado, certamente longe de imaginar que em breve o PDM alteraria a sua classificação para solo urbanizável. E cresceu sem futuro porque Mesquita Machado nunca quis nada com os académicos e os notáveis, rodeando-se sempre de gente sem grande mérito, talvez com medo que lhe tomassem o lugar.

Mesquita Machado foi, no entanto, um político hábil: soube sempre calcular o preço dos que lhe faziam frente e, em vez de os ostracizar, contratava-os. A Câmara, as empresas e os serviços municipais funcionaram como uma espécie de cadeia perpétua para os seus opositores, que lhe permitiram também criar uma enorme rede que prendeu milhares de famílias a empregos municipais, assegurando as sucessivas reeleições.

Nos últimos meses o desespero da saída e da crise levou a decisões que visam às claras dar apoio a privados e até a familiares em prejuízo do interesse público. Mesquita Machado, como todos aqueles que não sabem deixar o poder, sai, forçado, pela porta dos fundos. Eu fico contente que, pela primeira vez desde aquela festa de Natal dos infantários no Theatro Circo a que fui em 1980, o presidente a discursar este ano já não seja o mesmo.

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