modo: a ouvir

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Na sequência das críticas que fiz à noite branca bracarense que nasceu em 2012 no âmbito de uma capital dita europeia, a nova administração da Fundação Bracara Augusta perguntou-me o é que eu achava que uma noite daquelas podia ser. Ainda que não seja especialista resumi o que penso sobre o que pode ser este evento se baseado no conceito original desenvolvido pela Câmara de Paris (2002), naquela que deve ser uma mudança completa de filosofia, do vazio total – que a decoração branca tão bem simbolizava! – para um projecto consistente que dignifique Braga.

A versão até agora realizada por cá tem um alinhamento completamente errado, do nome ao conceito, como rapidamente se descobre ao navegar na net e ao constatar, com inveja, o que as outras cidades têm andado a fazer. No projecto parisiense, que foi adoptado nestes 12 anos por inúmeras cidades no mundo, de Paris a Tóquio, de Florença a Toronto, o desafio é o de, entre o pôr e o nascer do sol, artistas e os seus projectos invadirem espaços como museus e equipamentos públicos e privados que ou não estão em regra abertos de noite ou não tem vocação cultural. Procura-se trazer o grande público à arte contemporânea nas suas mais diversas manifestações acolhendo concertos, exposições, performances, teatro, etc concebendo-se uma noite única que ousa ser simultaneamente um evento de alta qualidade e de massas. Parte do orçamento está reservada a candidaturas que, se aprovadas, são posteriormente coordenadas por uma direcção artística. O sucesso de uma iniciativa destas passa em primeiro lugar pela grande adesão de candidatos e projectos e não pela programação decorativa e de catálogo.

A este propósito, é de louvar quem quer fazer melhor, ouvindo menos quem se apressa a pôr like nos posts oficiais e mais quem discorda fundadamente. Não será por ventura assim em todas as áreas de actuação do novo executivo municipal, nem em todos os contextos mas em vez de despender energia e salários no facebook a criticar quem vê o mundo de outra forma, é procurando os melhores exemplos que quem governa traz e realiza em Braga os projectos mais válidos!

A organização tem um enorme trabalho pela frente e em 2014 não será possível implementar o novo conceito na sua totalidade. Espero, todavia, que se dê o primeiro passo para que a mais intensa noite de Braga ambicione ser uma pequena Paris em vez de uma grande Loulé!

PS: para que não haja ciber-zunzum previno já que a minha consulta foi escrita mas gratuita 🙂

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