Liberta a Avenida!

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A Feira do Livro foi uma grande inovação nos anos 90 bracarenses trazendo à cidade inúmeras personalidades da cultura, não só dos livros mas também da música. Contudo, há muito que a Feira tinha cristalizado e muito por causa do gelo da grande nave do Parque de Exposições (PEB). Já toda a gente sabia que a sobrevivência passava por vir para o centro nesta altura do ano, inclusive o anterior executivo. No entanto, a disputa de competências PEB-Pelouro da Cultura impedia a deslocalização. Em traços gerais, se a feira viesse para o centro, o PEB perdia-a. A mudança total dos executivos, ou seja, a democracia a funcionar, tem também a vantagem de fazer cair estas velhas e inexplicáveis crispações internas.

Se toda a gente aplaude o regresso ao centro, tenho dúvidas, porém, que a avenida Central tenha condições para receber a Feira do Livro devidamente. A nova Câmara parece felizmente ter limitado os multi-usos imparáveis da avenida Central como era regra até Outubro (e até então havia de tudo naquela efervescente aldeia da nossa nobre praça, desde as berrantes barracas dos artesãos até à comercialização de automóveis, casas e chouriços!) Ainda assim, a área hoje efectivamente disponível desta enorme praça seiscentista é reduzida e atravancada – e basta recordar como era desagradável circular na avenida Central quando lá havia barracas de ambos os lados. Urge repensar seriamente, em conjunto, todo o espaço público do centro mas isso é outra conversa e a Feira do Livro é já daqui a um mês!

Por isso, a meu ver, a solução mais simples, económica e rápida é remover os canteiros que “restringem” a avenida da Liberdade, libertando toda a área para os peões, mais não seja para fazer jus à toponímia! É certo que a nossa recém-centenária-Avenida é inclinada, mas não mais que o Parque Eduardo VII onde há anos se realiza a Feira do Livro de Lisboa. Além disso, a iluminação nocturna é bem melhor e a zona utilizável desta avenida – sem canteiros e com o piso uniforme – é mais larga e mais extensa que a da Central. Acima de tudo, a avenida da Liberdade ficaria disponível para a realização de inúmeros eventos e, em especial, para concertos se instalado um palco amovível junto ao Theatro Circo (e com as vantagens óbvias de partilha de recursos com este teatro). Numa primeira versão low-cost bastaria simplesmente retirar os lancis dos canteiros e baixar o nível da terra, numa espécie de terraplanagem deste projecto ridículo e naïf de canteiros aos ziguezagues. Com boa vontade, esta mini-intervenção ainda se faz a tempo do S. João!

Na foto, o exemplo de uma solução inteligente, criativa e acima de tudo versátil para os saudosistas das florzinhas da avenida: os canteiros com rodas (e travões) da Câmara da Maia!

 

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