S. João XXI

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Se houve hábito que se perdeu foi o de dar atenção ao S. João de Braga. Há vários anos que o S. João estava a desaparecer e foi bom ver que este ano houve uma aposta clara na divulgação – vi inclusive outdoors na Póvoa do Varzim. O programa foi bem mais completo, diversificado, espalhando inúmeras actividades pela cidade, conseguindo-se inverter a tendência de um enorme deixa andar. Não foi alheia a isto a existência de uma nova equipa, de gente jovem e de muitos voluntários que trouxeram novas ideias e um novo fôlego (e algumas polémicas escusadas). Não foi ainda o suficiente para a imprensa nacional nos dar a devida atenção mas não é num ano que se recupera o tempo perdido!

Porém, se há área onde este grande evento precisa de mudanças é na logística e não foi visível nenhuma alteração substancial. Parte do S. João parece funcionar ainda segundo uma rotina antiquada e incompatível com a forma de pensar hoje. Aqui ficam 5 notas e várias sugestões, acreditando que este foi o ano zero para esta nova comissão de festas e que há muito a aprender e a melhorar!

1. barracas
Ou eram tendas esfarrapadas ou stands recentes mas feíssimos… Não acredito que não se consiga fazer uma feira com bom aspecto – eu vejo-as no estrangeiro e dá gosto percorrê-las! E será que faz sentido haver barracas pela avenida da Liberdade acima? Creio que há muitas outras soluções possíveis que podem passar por outros espaços (rua dos Barbosas?) ou até por fechar durante uns dias a parte sul da avenida entre a João XXI e a Ponte. Neste caso evitava-se ainda a confusão nesta zona e os engarrafamentos permanentes.

2. feirantes
Um evento destes não pode fingir que não vê as condições em que trabalham os feirantes. Numa pequena volta, vi crianças a brincarem no lixo e nas poças de água, vi filhos de feirantes presos a carrinhos de bebé ao sol para não atrapalharem os pais, numa imagem que dificilmente se associa à Europa a que achamos que pertencemos. É possível fecharmos os olhos a isto? Não é já tempo de a organização disponibilizar um pequeno infantário durante estes dias, nem que seja através de parceria com os da cidade? Já nem falo nas carrinhas estacionadas na avenida central e da liberdade que funcionam como habitações. Braga não consegue receber melhor estas pessoas que vêm para cá trabalhar? Não pode o parque de campismo funcionar como apoio durante estes dias?

3. palcos e músicos
Os palcos laterais na avenida não funcionam. Além disso, pareceu-me descoordenada a sua montagem: havia um poste das decorações em frente a um dos palcos e vi camiões perdidos a fazerem as mais incríveis manobras, passando por cima dos jardins sem ninguém a orientá-los. É preciso arranjar uma solução melhor e permanente para os concertos ao ar livre e acho que pode passar por utilizar a avenida da Liberdade.

4. condições dos músicos
Confesso que também não percebo que estrutura de apoio têm as centenas de músicos que vêm cá tocar. Vejo-os a tentar almoçar nos muretes da avenida ou sentados às dezenas na relva à espera da vez de tocar. Não é possível criar-se uma zona de bastidores e camarins que lhes sirva de apoio? Fico com a ideia que Braga recebe muito mal os convidados.

5. banda sonora
Por fim não consigo perceber que se insista em passar nos altifalantes música de mau gosto o dia todo. É no mínimo embaraçoso que a banda sonora com que a cidade se apresenta durante dez dias seja pindérica – com tanta música interessante associada ao S. João, a começar pela do rei David! -, além do incómodo permanente para quem trabalha no centro. Garanto que não é preciso o centro de Braga imitar uma aldeia pimba para a cidade estar em festa!

Há felizmente um novo fôlego na organização mas os tempos mudaram. O nosso S. João só vai recuperar o protagonismo se entrar no séc. XXI!

PS Quanto ao que mais polémica causou, feita a experiência, o que sobressaiu não foi a meu ver o mal estar do animal – que se esteve a borrifar para a corrida! – mas sim o pouco interesse em recuperar esta tradição que nada acrescentou ao S. João. Se a ideia é reviver o S. João de antigamente parece-me que seria bem mais elucidativo e prestigiante produzir um documentário estilo Canal História!

#sjoao #braga #portugal #35mm

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