a surpresa

muralha2

Ao contrário de outras cidades do País, Braga foi protegida ao longos dos seus 2000 anos por muralhas com traçados assaz diversos. Nenhuma delas é hoje, porém, claramente visível e identificável pelo bracarense comum. De certa forma prefiro esta nossa versão escondida que obriga a procurar e a pedir licença para ver, do que aquelas enormes muralhas que são tão imponentes quanto (re)construídas nos anos 40 do século XX (como em vários castelos do país a começar pelo de S. Jorge em Lisboa).

Mas se estar escondida pode ser uma virtude ou peculiaridade, ser totalmente ignorada já não se pode aceitar. Desde que no início do séc. XIX se começaram a demolir portas, torres, muralha e castelo medievais e a urbanizar as ruínas de Bracara Augusta, a cidade nunca mais voltou a pensar na valorização do conjunto destas estruturas defensivas. E não é por falta de estudos académicos, destacando-se a imperdível tese de doutoramento de Maria do Carmo Ribeiro (disponível em repositorium.sdum.uminho.pt). Nas últimas 2 décadas recuperaram-se as torres de Menagem, Santiago e Nova e alguns estabelecimentos comerciais passaram a exibir a muralha nos fundos das suas lojas, ao mesmo tempo que a ASPA denunciava, entre outros casos graves, a demolição da muralha fernandina no campo da vinha ou da romana na loja do cidadão.

Agora que temos no executivo dois vereadores que há muito lutam pela defesa do nosso património (Miguel Bandeira e Firmino Marques), era bom que se pensasse em conjunto nas dezenas de locais visitáveis e num roteiro integrado para as várias muralhas da cidade (e porque não uma associação entre todos os espaços envolvidos). Não há dinheiro para grandes obras mas nem faz falta para começar. Em muitos casos basta limpar as estruturas existentes e combinar com os proprietários horas e forma de acesso. A maioria dos comerciantes e instituições ficará certamente agradada por receber visitantes e alguns particulares terão disponibilidade para abrir a porta de casa às visitas guiadas!

Na foto, vista pelo buraco da “fechadura”, a surpresa de um merlão e ameias perdidos no fundo do logradouro do n.º 73 da rua dos Biscainhos

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s