quase branca

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Não é uma noite branca totalmente diferente como a CMB afirma mas deram-se passos importantes este ano na aproximação à nuit blanche parisiense que é o modelo mundial. Desde logo é de elogiar a abertura dos museus e do Theatro-Circo durante a noite – que era aliás uma condição sine qua non deste projecto – e o alargamento harmonioso a todo o centro histórico e até a Tibães onde haverá um pequeno almoço cultural! Além disso, o concurso de projectos artísticos veio orientar este evento na direcção correcta: a da produção artística específica para esta noite que deve ser única.

Ainda assim, percebe-se pelo cartaz que o grosso da aposta ainda é no entretenimento simples – com grande prevalência da música – e não claramente num evento cultural e artístico da cidade com a sua marca própria que, tal como se define na versão original, ambiciona ser simultaneamente de alta qualidade e de massas. Aliás, do orçamento de 200.000€ somente 25.000€ foram destinados às candidaturas artísticas.

É uma revolução – pelo menos em Braga! – que a decisão desses apoios tenha cabido a um júri externo à organização e que a lista das entidades apoiadas e os respectivos financiamentos seja pública! É com muita satisfação que vejo publicada uma pauta com os apoios, nesta cidade tradicionalmente dos segredos e dos amigos, não obstante ter pena de o projecto da Velha-a-Branca não ter sido seleccionado (a Velha apresentará nessa noite uma actividade inspirada na proposta original). O sucesso deste concurso demonstrou também que o orçamento de 25.000€ é claramente insuficiente e significou que apenas 13 dos 170 projectos apresentados puderam ser apoiados. É também preciso começar a organizar esta noite muitos meses mais cedo principalmente no que diz respeito às candidaturas – por exemplo, em Toronto, as candidaturas a apoios da Nuit Blanche 2014 a realizar daqui a um mês fecharam a 14 de Fevereiro!

Outro aspecto a corrigir deve ser o da organização que neste momento é bipartida entre a CMB e a Fundação Bracara Augusta (FBA) que claramente têm abordagens distintas. Já agora, e pensando de forma mais abrangente, por que razão não é a FBA a organizar todos os grandes eventos culturais da cidade, especializando-se e ganhando know how nessa área, uma vez que foi esse o propósito da sua criação (comemoração dos 2000 anos da cidade)?

De resto, continuo a não entender o apelo – mais tímido é certo – para os visitantes vestirem de branco. É pena que a mesma cidade que edificou tanta coisa notável e de elevada qualidade como o Bom Jesus, os jardins dos Biscainhos, o coro alto da Sé e o Theatro-Circo e que desenhou o Mappa das Ruas não se livre deste fascínio pelo pindérico que adquiriu há algumas décadas e que tem contaminado quase tudo, desde o desenho urbano, a construção civil e o mobiliário urbano até ao design e aos eventos culturais.

As mudanças este ano são positivas mas insuficientes. Espero, porém, que este seja um ano zero, um ano mais de experimentação, e não o modelo definitivo desta noite que tem potencial para pôr Braga no mapa!

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