a velha e o futuro

velha

A capacidade de optimizar recursos, de não desperdiçar e consequentemente de se fazer o máximo com pouco raramente é valorizada ou premiada. Bem pelo contrário, é a arte de sacar dinheiro ao Estado ou à Europa que se aplaude, mesmo que no fim seja para produzir quase nada ou até para se construir um sarilho a suportar nas décadas seguintes. Primeiro faz-se – e em grande – e logo se há-de descobrir se e para que serve (a mesma filosofia, aliás, que rege a austeridade: primeiro corta-se e logo se vê o que falha). Há toda uma legião de fãs desta escola do megalómano, de todas as idades, dos responsáveis das juntas de freguesia às câmaras e ao governo, do sector público à iniciativa “privada” sem risco, todos acalmados à força enquanto a crise mantiver o dinheiro escasso.

Em 2004 a velha-a-branca queria testar outra forma de pensar. É preciso relembrar que a Velha é a descendente cultural do BragaTempo, projecto anterior que procurava discutir e repensar Braga. É portanto a passagem à prática ou a experimentação de uma ideia de cidade: mais económica, mais racional, mais integrada, mais acessível, menos burocrática, mais ponderada. Sustentável, dir-se-á.

A Velha quis mostrar que com uma gestão cautelosa era possível não onerar os contribuintes. Quis provar que não era preciso mendigar apoios nem prestar vassalagem para se construir um projecto consistente. E conseguimos! E isso é a meu ver – e sou suspeito, claro está – a maior realização da Velha nesta década. Muito mais que os 2571 eventos culturais programados até ontem e que eu até acho que poderiam ter sido mais, melhores e mais ousados.

A Velha é obra de muita gente que por cá passou e ajudou, por mais ou menos tempo, e também o resultado do saber dos convidados que trouxemos a esta casa do séc. XVIII para discutirem, ensinarem, trocarem ideias, mostrarem os seus trabalhos, etc. E são tantos que já não sei dizer quantos.

Passados 10 anos cá estamos, não a admirar o passado – que fica para os historiadores – mas a pensar no caminho da próxima década que queremos que seja diferente. O Estaleiro quer lançar novos barcos e para isso conta com todos vós: se tudo afinal é possível, como é que a nova Velha deverá ser? O que é que continua a fazer falta em Braga?

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s