praças a sério

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Nas cidades a sério há sempre coisas escondidas a descobrir e cada praça – a velha Braga é uma cidade de praças – tem a sua vida própria. Lembrei-me enquanto tentava descobrir uma loja que me recomendaram na Praça do Comércio, junto ao Mercado, por entre carrinhas, carrinhos, caixas e gente atarefada a vender desde chapéus às cores a bíblias, num mundo subitamente tão diferente do vizinho Campo da Vinha. Descobri o que queria depois de várias voltas a encontrar outras lojas que não sabia que existiam ou que tinham fechado e com a ajuda exacta de um relojoeiro que eu também não sabia que existia e que já cá deve estar instalado há bastante tempo a ver pela certeza com que me indicou a loja escondida.

Braga tem felizmente este lado urbano ainda que durante muito tempo a Arcada fosse usada como o seu único centro, ainda que lhe tivessem arranjado praças e ruas para a seguir as carregarem de tralha inútil, ainda que lhe tivessem esventrado e posto a nu os segredos interiores de vários quarteirões centrais, ainda que lhe tivessem apagado por ignorância voluntária muita da diversidade que resultava das inúmeras sobreposições da história ao longo de 2000 anos e que pequenos pormenores revelavam. Braga sobreviveu a tudo isso e continua a mexer, algumas camadas acima da malha ortogonal romana (que ainda é visível aqui e ali).

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