Palácio presidencial

13428552_1125272830878809_5944866076483449616_n

“Gastou-se em função do que havia para ser feito”
“Quanto ao valor do investimento aí entra-se no campo da subjetividade”.
As justificações surpreendem tanto como o gasto de 76.000€ na decoração do gabinete do Presidente da Câmara de Braga.

Sem cair na demagogia de que não se pode modernizar um escritório, o que se pede a um gestor de dinheiros públicos é que decida com o máximo de objetividade. No caso:
1º O que ganha a Câmara com a remodelação do gabinete do presidente? Dignidade? Capacidade de desempenhar melhor as suas funções? Apenas conforto do seu utilizador?
2º A ser imprescindível a remodelação, é possível fazê-la total ou parcialmente com recursos já existentes no Município? É necessário contratar terceiros?
3º Quanto custa a remodelação em 4 ou 5 fornecedores diferentes?
4º Qual é a razão para que a remodelação seja entregue a uma das lojas de decoração mais caras?

Sem respostas objetivas a estas questões, não vejo como se possa decidir bem, principalmente em caso de valores avultados. Na verdade, decidir sem estudar alternativas não é sequer decidir, é mandar. E duvido que Ricardo Rio aceitasse as justificações que ele próprio deu se lhe fossem apresentadas por um funcionário municipal.

De qualquer forma, quem gere uma cidade onde há tanto por fazer e que fora do centro está toda por remodelar, não deve – não pode! – começar em grande pelo seu gabinete. Se redecorar o gabinete custa 76.000€, como é que:
– se pede às crianças do ensino básico que aprendam em escolas sem condições e brinquem nos corredores quando chove porque não há verba sequer para COBRIR o pátio?
– se pede a funcionários municipais que utilizem instalações e equipamentos OBSOLETOS?
– se define um valor de 25.000€ a distribuir por TODOS os projetos/artistas concorrentes à Noite Branca?
– se obriga quem tem mobilidade reduzida a utilizar passeios com OBSTÁCULOS que com pouco dinheiro estariam corrigidos?
– se pede aos cidadãos que apresentem projetos para a CIDADE até 85.000€ no âmbito do orçamento participativo?
– se mantêm as ciclovias em funcionamento com os mesmos ERROS de 2013?
etc, etc, etc

Gastar dinheiro numa mera remodelação – que tem todo o ar de ser supérflua – é uma afronta. É não ter noção nenhuma do dinheiro e do que se pode fazer com 76.000€. É uma subjetividade que faz lembrar muito mais os tiques sumptuosos dos maus empresários do que a atitude de um autarca diligente e preocupado com os outros.

PS mais uma vez foi a RUM – Rádio Universitária do Minho que fez perguntas e, portanto, jornalismo. Parabéns!

NA FOTO: o tão-fácil-de-cobrir recreio das precárias instalações da Escola de S. João do Souto…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s