Um ar de moderno…

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Não é grande novidade: desde 2011 que a Misericórdia anuncia que tem com objetivo converter a parte velha do S. Marcos num hotel. Uma enorme diferença em relação ao S. Geraldo, cujo projeto caiu do céu em Fevereiro depois de andar a ser negociado com a Câmara durante meses sem conhecimento dos bracarenses e ignorando os resultados do concurso de ideias para um edifício cultural. Por isso não se percebem as críticas vindas da Arquidiocese (ver JN do dia 4): certamente não gosta deste Hotel no S. Marcos que invalida e torna ridículo um hotel no S. Geraldo mas também não pode dar grandes lições de diálogo com a cidade.

À partida o S. Marcos velho parece o edifício ideal para um hotel, cuja localização e dimensão faz até lembrar os famosos paradores espanhóis. Tem várias frentes de rua, muitas janelas, um claustro, espaço exterior, vistas, etc (exatamente o contrário do S. Geraldo). A tipologia proposta é parecida com a antiga, o que permite um verdadeiro programa de reabilitação. Ou seja, não é necessário partir tudo para converter o S. Marcos num hotel (ao contrário do S. Geraldo). Aliás, não é por acaso que hospital e hotel têm a mesma origem etimológica (ambas do latim “hospitale”, casa de hóspedes). Além disso, a Misericórdia já deu provas no Palácio do Raio que sabe reabilitar!

Porém, se no caso do S. Marcos há uma convocatória pública para discussão interna (hoje às 18h), não quer dizer que seja suficiente. Quando se convoca a tomada de uma decisão importante para meados de Agosto é porque não se quer debater muito. Não são conhecidas as condições do negócio. Mais do que saber os valores, era importante perceber a razão e as condições do direito de superfície (=construção ou manutenção de obra sob solo alheio). Porque não um simples arrendamento?

Se no estudo prévio para o S. Marcos podemos ler que terá “como ponto de partida o valor patrimonial do edificado existente e de toda a riqueza espacial e formal dos edifícios e espaços que a compõe, através da sua cuidada reabilitação” a verdade é que praticamente todos os 21 hotéis da Vila Galé em Portugal são construção nova e não reabilitação, o que é inquietante.

O S. Marcos, como chamou atenção o BE há dias, é um edifício de referência dos bracarenses (desde logo porque quase todos nascemos lá). Está classificado e tem enorme interesse histórico e arqueológico (o edifício, o subsolo com a saída e muralhas romanas, etc). E, claro, o seu futuro deve ser discutido e deve envolver a cidade.

Em resposta ao desafio, a Câmara já anunciou que se remete a um papel meramente burocrata: não há nada a discutir. Mais um exemplo de quem parece ter medo dos privados. Afinal quem é defende e implementa o Programa Estratégico de Reabilitação Urbana do Centro Histórico? Tempos houve em que os antigos candidatos na Oposição se esforçavam para ter muitos testemunhos de cidadãos no seu site. Era só para dar um ar de moderno, não era?

PS na foto o S. Marcos visto do CC Santa Cruz – como é que um espaço com estas vistas está moribundo!?

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