Sem milhões e bem parece que não há quem!

 

13580671_1136264186446340_7221851383019405321_oJaime Lerner, o famoso urbanista e prefeito de Curitiba, diz que a criatividade dos planeadores de uma cidade começa quando se retira um zero ao valor do orçamento. O que na maior parte das vezes vemos acontecer nas decisões políticas, porém, é que sem esse zero não há sequer projeto. O que por outras palavras quer dizer que, em geral, há pouca criatividade no processo de planeamento da cidade.

Vivemos, aliás, num período em que todos os projetos privados ou públicos são sempre investimentos de milhões de euros (M€). É como se já não fossemos capazes de pensar e de desenhar projetos simples e baratos. A verdade é que, dependendo da opção política, com alguns milhões de euros podemos implementar centenas de projetos ou apenas um.

Braga conquistou no âmbito do Norte 2020 apenas 5,9M€ para reabilitação urbana (entre outros, os projectos candidatos eram: PEB – 7M€; Mercado Municipal – 4M€; Fábrica Confiança – 4M€). Com apenas 5,9M€, diz a Câmara, a prioridade é o PEB. Mas o executivo podia ter tomado uma de duas opções: ou sacrificar projetos ou redefinir a ambição de cada um. Optou-se pelo primeiro caminho e até se admitiu a hipótese bizarra de vender a Fábrica Confiança. No fundo, neste caso para o executivo, ou havia 4M€ ou nada nasce na Fábrica Confiança. Se esta desistência não esconde uma outra intenção ainda não revelada, gera pelo menos uma frustração das expetativas criadas. Para que serviu o concurso de ideias para a Fábrica? Também não se percebe como é que a Confiança está culturalmente inativa desde que foi municipalizada, se antes – quando era privada – acolhia teatro, exposições, conferências, concertos, etc. Faltará a tal criatividade que Lerner refere?

O pior é que esta incapacidade de pensar em modo low cost está enraizada, tal como pude verificar na Assembleia Municipal. Em resposta à recomendação da Oposição de se encontrar uma solução para evitar a demolição do S. Geraldo, João Granja do PSD disse que não há dinheiro para fazer outro Theatro Circo. Mas quem é que pediu outro Theatro Circo!? Por que razão o que ocorre primeiro a um político não é pensar num equipamento cultural muito simples, com eventual gestão associativa ou privada, como sempre aconteceu com o Salão Recreativo/S. Geraldo?

Curiosamente o discurso de que não há dinheiro, não é acompanhado de grande cuidado na altura de fazer investimentos ou alienações. Apesar de haver avaliações substancialmente mais baixas de peritos-avaliadores oficiais, a Confiança foi expropriada amigavelmente por 3,6M€. Apesar de não faltarem imóveis e frações disponíveis em S. Lázaro – a começar pelos centros comerciais -, a Câmara quer instalar a sede da Junta num imóvel novo que, com meros 745m2, vai custar 1,8M€ em 10 anos (e sustentar com muito dinheiro público o tal investimento “privado” do S. Geraldo). Apesar de terem sido expropriados, e portanto adquiridos com dinheiro dos contribuintes, a Câmara não hesitou em doar pelo menos 2,5M€ em terrenos ao SCB e emprestar a estrutura da piscina olímpica de 8M€. Claro que depois não sobra dinheiro…

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