As Férias Podiam Mudar a Rentrée [e os Políticos]

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A comparação entre cidades ou regiões permite-nos saber onde estamos. Ajuda-nos ainda a decidir melhor para onde queremos ir. Mas, por regra, os políticos só gostam daquelas comparações que dão jeito. De preferência das que nos põem, de forma muitas vezes distorcida ou empírica, à frente de um qualquer ranking. Mesmo que esse ranking não exista. E Braga é um exemplo há muitos anos desta mania. Autoproclamamo-nos maiores nisto ou naquilo – maior festa popular, a cidade com maior qualidade de vida ou mais feliz, maior noite branca, top ten ibérico, maior festival, etc – como se houvesse uma entidade externa de peso que certificasse qualquer dessas posições.

Distorcer a realidade para vender uma cidade dá votos e seguramente posts com muitos likes. Porém, ao iludirmo-nos sobre o diagnóstico, dificilmente conheceremos a sério os problemas. E, claro, só com muita sorte acertaremos na solução mais indicada. Além disso, nas cidades onde tudo é (aparentemente) espetacular não se reconhece que há mudanças estruturais a fazer. Braga vive nesta estranha dualidade. Por um lado, a cidade moderna é um desastre urbanístico, a política de mobilidade assenta quase em exclusivo no automóvel (um para cada cidadão), não existe um único parque urbano com dimensões dignas, e por aí fora. Todavia, se lermos os documentos e a propaganda da Câmara nenhum destes problemas existe. Logo não carece de solução nem de estratégia.

Na comparação séria entre cidades a recolha de dados estatísticos para planeamento urbano é crucial. Mas não só. É importante conhecermos outras realidades no terreno e as viagens são uma excelente oportunidade para isso. E não tem necessariamente de ser em visita a grandes cidades na vanguarda tecnológica que aprendemos. Por exemplo, os candeeiros de iluminação pública instalados este ano na aldeia alentejana da Zambujeira do Mar também são LED mas demonstram um cuidado estético muito mais apurado do que os modelos vulgares adquiridos por Braga (que agravam a degradação do espaço urbano).

Nem sempre, porém, as férias e as viagens dos políticos são bem encaradas. A ida de diversos autarcas de Braga ao Rio de Janeiro gerou alguma celeuma nas redes sociais. Polémica que tem muito de discurso demagógico. O problema não são as viagens mas o seu real interesse para a cidade (que no caso não conheço em pormenor e por isso não me pronuncio).

Na verdade, os políticos deviam viajar bastante mais. Talvez até devesse ser obrigatório! Por exemplo, duas vezes por ano todos os políticos – ministros, secretários de estado, autarcas, adjuntos, assessores – tinham de fazer dois estágios em instituições equivalentes noutras cidades estrangeiras ou não, sob pena de perda de mandato. Uma espécie de Erasmus (mas, claro, numa versão menos lúdica). No final, seria obrigatório defender publicamente um relatório comparativo sujeito a avaliação. Isto permitiria perceber como se resolvem noutras paragens determinados problemas recorrentes, ganhando-se eficiência. E nalguns casos serviria para percebermos quais as medidas que já tomámos e que, afinal, até são as mais acertadas.

Voltando à pouco animadora realidade, receio que a maioria dos políticos não trouxe de férias uma única ideia ou exemplo que queira implementar. Não tenho, por isso, muita esperança de ver grandes mudanças na rentrée…

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