Cidade martírio

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O Fórum BRACARENSE . Espaço de Informação Global organizou na sexta-feira um debate sobre mobilidade. Entre os 5 convidados, a organização optou por ouvir em primeiro lugar 2 cidadãos com mobilidade reduzida. A escolha não podia ter sido mais acertada!

Ouvir em primeiro lugar cidadãos com mobilidade reduzida é dar-lhes um destaque que obviamente merecem porque em regra não são convidados para os debates genéricos sobre mobilidade. Além disso, quer a Olivia D Silva quer o Filipe Azevedo, trouxeram-nos testemunhos do martírio que é ter, em Braga, dificuldades de locomoção ou de visão. Desde os transportes públicos inadequados, até aos passeios atafulhados de carros, passando pelos perigosos pilaretes em ferro colocados a meio dos passeios. Pior, é sabermos que quando são feitas alterações ao espaço público os cidadãos com mobilidade reduzida não são ouvidos. E depois da obra feita, nunca há dinheiro para a corrigir…

Braga, com exceção do centro histórico, tem um péssimo ambiente urbano. Braga é uma cidade (re)desenhada nos anos 90 para servir apenas um utilizador: o automóvel. Todos os demais utilizadores – transportes públicos, bicicletas e peões – têm de se contentar com o espaço que sobra.

Há mais de 15 anos que é assim e infelizmente não temos assistido a melhorias dignas de serem registadas (nem surgiram com a mudança de executivo camarário). E não me refiro a grandes investimentos mas sim àquelas pequenas intervenções que poderiam ter existido e, no seu conjunto, tornariam a nossa cidade recente mais agradável, confortável e segura para andar a pé ou numa cadeira de rodas. A propósito disto e da falta de recursos para grandes obras procurei na minha intervenção chamar a atenção para 2 exemplos internacionais: o caso de Pontevedra e as experiências de urbanismo caminhável no Brasil. Dois exemplos de como, sem investimentos avultados na infraestrutura, é possível redesenhar a cidade.

A cidade é de todos e para assegurar a igualdade deve dar prioridade aos utilizadores mais frágeis. Não é por acaso que nas cidades do Norte da Europa vemos muito mais pessoas com mobilidade reduzida a usufruírem regularmente do espaço público. Será que em Braga estas pessoas estão condenadas a ficarem em casa?

Resumindo o enorme desafio que temos de promoção da acessibilidade e melhoria da mobilidade, deixo a frase de Filipe Azevedo no debate: “Braga tem se esforçar mais se quer ser democrática!”

NA FOTO, A RODOVIA-MURALHA: como em tantos sítios da rodovia, há 25 anos havia aqui uma passadeira com semáforo e atravessava-se de nível. Há 20, há 10 ou hoje já não há e quem não pode descer, que vá à volta ou de carro. Os carros é que não podem parar…

#mobilidadedemocrática

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