Quebrar a Urbanidade da Rua 25 de Abril com um Mamarracho

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Quantas soluções conseguimos imaginar enquanto cidadãos preocupados para os terrenos onde está a ser construído o hipermercado? Uns poderão ali imaginar um jardim que mantivesse a área verde e ligasse a 25 de Abril à 31 de Janeiro (o que implicaria ou uma intervenção municipal ou – pasme-se – disponibilidade da Igreja para perder alguma renda fundiária). Outros poderão preferir moradias (como as que existem do outro lado da rua), achando que o plano dos anos 50 de Miguel Resende ainda faz sentido. Eu nem acharia mal que a Igreja ali construísse uma versão contemporânea e integrada de frente de rua com prédios de 3, 4 ou 5 andares – como os existentes ao longo da rua – e com as funções tradicionais (habitação, comércio e serviços) e com acesso pedonal e público à 31 de Janeiro.

Mas, claro, o promotor não quer nada disso. Quer a solução mais barata que é montar um pavilhão pré-fabricado num descampado mais ou menos plano.

E a Câmara faz-lhe o jeitinho, em nosso nome e à custa de destruir a coerência desta rua tão luminosa e agradável e com um desenho tão urbano.

Ninguém que goste desta cidade se lembraria de autorizar ali, sem luta, um pavilhão para um hipermercado dotado de um estacionamento de 130 lugares. O que leva, então, um conjunto de pessoas, eleitas para defender o interesse coletivo, a aprovar uma solução tão fraca, tão desinteressante, numa rua que é (era) um escasso bom exemplo de planeamento urbano?

Por que razão a Câmara abdica de toda a sua margem de discricionaridade prevista nos instrumentos legais e regulamentares que lhe permitia facilmente indeferir este atentado urbanístico no coração da cidade?

A que interesses está vinculada esta Câmara?

Se não fosse um hiper da marca Continente ou um terreno da Igreja, esta operação urbanística seria autorizada nestes termos?

PS já foram mais árvores abatidas… é incrível a incapacidade de integrar as árvores pré-existentes (no caso até nem incomodavam nada)

PS2 a obra anda a todo o ritmo mas ontem ainda não tinha licença, nem aviso de obra [mas isso lá é novidade neste tempo novo fora-da-lei?]

#rua25deabrilsempre #desplaneamentourbano

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