Será inovador o ano de 2017?

2017-01-31

Em tempos idos o anterior Presidente da Câmara vivia fechado no gabinete. Hoje assistimos ao extremo contrário: não há evento que não conte com o Presidente da Câmara, a maioria das vezes acompanhado de um vereador – e até dois – e de vários assessores. Apostar em aparecer em todos os eventos deixou, porém, o barco municipal à deriva. Já passaram mais de 3 anos do mandato autárquico e pouco mudou depois de tantos anos de espera por um segundo presidente da Câmara em tempos democráticos. Pouco mudar representa, infelizmente, um elogio não merecido ao passado. Mais do que as obras e projetos de grandes dimensões, o que tem faltado na cidade e no concelho é a atenção ao dia a dia da cidade. Através de pequenas intervenções que atenuassem ou resolvessem problemas que se arrastam há anos poder-se-ia ter melhorado substancialmente a qualidade de vida dos bracarenses. Sem diagnóstico feito, a maioria desses problemas manter-se-á em 2017.

Com um orçamento ligeiramente maior (101,3M€), por força dos fundos comunitários, a tentação em 2017 vai ser a de tentar inverter a imobilidade camarária nos poucos meses que restam até às eleições de Outubro. E já sabemos a receita habitual em anos eleitorais: apresentar trabalho feito é optar pelo que for mais vistoso. A pressa vai à partida significar, como é costume, projetos em cima do joelho, custos acrescidos, ajustes diretos, trabalhos mal executados, pouca ponderação, atribuição de apoios sem critério, mais festas e mais generosas (o orçamento da Noite Branca/2017 já vai em 350.000€).

Fazer à pressa significará também a inexistência de qualquer discussão pública, algo que tão criticado foi no passado recente por quem agora tinha todos os meios para fazer de forma diferente. Quem não se lembra da “urgência” das obras do programa Regenerar Braga que investiu vários milhões na Av. Central (lado norte), no Largo da Senhora-a-Branca, na Rua do Chãos, no Largo Carlos Amarante ou na Rua de S. Vicente? A pressa valeu a pena? Infelizmente, estes três mornos anos desde 2013 poderiam ter sido aproveitados para o debate sério e alargado sobre os futuros da nossa cidade. Todavia, serviram apenas para lançar títulos para os jornais e anunciar bonitas intenções contrariadas no dia a dia. 2017 vai trazer-nos mais episódios do Regenerar Braga?

Do lado da oposição, espera-se que haja fôlego e novidades a sério para que as eleições sejam um momento de verdadeiro debate democrático e não o penoso cumprimento de uma obrigação. Durante estes três anos, na Câmara, um PS apagado, preguiçoso e meio perdido foi compensado por um vereador da CDU atento e interventivo. O PS mudará de estratégia ou manter-se-á um peso morto como nos tempos dos candidatos-para-perder que o PSD arranjava contra Mesquita Machado? A esquerda, à semelhança do que sucede no Governo, conseguirá unir-se pela primeira vez num projeto comum? Haverá oposição também à direita?

Um bom ano a todos e, em especial, a esta Rua!

#revistarua

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