Boticas 10, Braga 0

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Boticas é um concelho com 5750 habitantes. Se o critério para o analisarmos for o da população residente, está no fim da lista nacional. E, mesmo que o concelho de Boticas fosse uma freguesia de Braga, estaria apenas em 10º lugar (de 37). Parecem, por isso, realidades incomparáveis.

Em 2013, em Boticas, foi inaugurado o Centro de Artes Nadir Afonso [não confundir com o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso que abriu há meses, ali perto, na cidade de onde era natural o pintor – Chaves]

O centro já recebeu 2 prémios e acolheu 10.000 visitantes ou seja o dobro da população do concelho e quase 8 vezes mais do que a própria Vila. Entre os visitantes estão os alunos da nossa Escola Sá de Miranda. Além da sala de exposições, o Centro de Artes inclui um auditório e uma loja interativa do Turismo Porto e Norte. Neste momento, está patente a terceira exposição da obra do pintor/arquiteto.

Se por ventura quiséssemos trazer esta exposição desta pequena vila para Braga não teríamos onde a exibir. Não há na “terceira cidade do reino” espaço permanente público ou privado para o fazer. E como não há, não só não recebemos exposições de fora como também nunca as organizamos.

E não me refiro só a arte contemporânea – que há tendência para rotular logo como muito elitista – mas a qualquer exposição de média ou grande dimensão seja documental, histórica, científica, comemorativa, etc. Braga é um buraco no circuito nacional [a situação é tão ridícula e há tantos anos que até é difícil comentar seriamente – acho que já fomos ultrapassados por todos]

Se não temos em Braga onde exibir uma exposição de Boticas, o que diremos de outras maiores venham elas da vimaranense Plataforma das Artes, dos museus de Vigo ou Pontevedra, ou para ser um bocadinho mais exigente, de Serralves, da Cordoaria, de Madrid ou de Barcelona? [isto se for séria aquela meta que a Câmara estabeleceu de nos posicionar no top ten ibérico a nível cultural]

Mesmo com esta lacuna cultural inexplicável, no Executivo Municipal não sabem o que fazer à Fábrica Confiança! Em 3 anos não a conseguiram utilizar e chegamos ao cúmulo de agora funcionar como armazém de materiais diversos [já deve ser um estágio para a venderem a um empreiteiro conhecido]

Será que a economia que conhecem é apenas a das contas de somar e subtrair? Será que alguma vez se sentaram a discutir estratégias, desde logo culturais, para tornar a cidade atrativa para os tais empreendedores e estrangeiros e jovens que querem que se fixem em Braga? Ou é com a Casa dos Crivos e o Museu da Imagem e um plano estratégico – que proclama que atingiremos o top 10 – que vamos impressionar embaixadores e atrair os tais talentos fulcrais para a economia, no meio de uma concorrência feroz entre cidades?

#boticas10braga0

PS vai haver qualquer coisa polivalente para exposições no PEB – não se sabe o que é, nem houve o cuidado de discutir previamente [ao menos com os membros do Conselho Cultural, o órgão consultivo da CMB]

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