Debate Morno

bragartes

Quarta à noite falámos muito, debatemos pouco. Intervenções longas dos convidados e do público, poucas perguntas, um espaço talvez demasiado formal, cinco convidados (o que complicava qualquer ronda pela mesa). O debate sobre «Braga – Cidade de Cultura» perdeu um pouco o fio condutor (e assumo a minha quota parte de culpa). Mas ficou claro que são precisos debates sobre o tema.

A Vereadora da Cultura, prevista na versão inicial do painel, acabou por não participar, nem se fez representar politicamente [não percebo por que razão os políticos são tão avessos a discussões “fora de casa”. Não estão a gerir dinheiros públicos em nome de todos nós? Não devem defender, sem medo, as suas ideias?]

Poder-se-á contra-argumentar dizendo que um político não pode ir a todos os eventos. Concordo. Mas não é bem o caso. Pela importância deste debate mas também pelo padrão criado. Como se vê pelos jornais, há disponibilidade para participar no anúncio de procissões, de festas, de lançamentos de livros, de restauros de igrejas, etc [uma forma de propaganda que tem sido a essência deste executivo]

O auto-elogio em Braga é uma praga. O poder incentiva-o e não promove – nem sabe lidar – com a crítica. O auto-elogio distorce o diagnóstico, incendeia qualquer discussão, traça políticas na direção errada.

Uma estratégia para a cultura passa pelo diagnóstico correto e participado do território e dos agentes. Passa por debater com todos e não apenas com os simpatizantes. Passa por não politizar os apoios. Passa por entender a fundo o que estava errado na política anterior e o que está em falta na cidade [que não se resolve apenas mudando as caras, embora possa ajudar]

Braga está a preparar a candidatura a cidade criativa da UNESCO nas «media arts». Alguém deu por ela? A cidade está envolvida neste projeto? Nem sequer o pelouro da Cultura! Não há uma única referência às «media arts» no Plano do Pelouro da Cultura para 2017! [nem qualquer referência à criação artística!]

Em 2014, convém lembrar, a despesa média em atividades culturais e criativas por habitante em Braga foi de 5,6€. Um resultado muito inferior à média nacional (34€), do Norte (27,9€), de Guimarães (40,4€), de Famalicão (25,2€) e até de Barcelos (12,9€)!

E, mesmo com um orçamento inferior, a tendência tem sido para apostar uma parte significativa dos recursos públicos na festa, no efémero. No curto-prazo. Na visão economicista que olha para a Fábrica Confiança ou para o S. Geraldo como uma oportunidade para um bom negócio [seja na venda da Fábrica, seja na demolição do S. Geraldo para fazer um centro comercial]

No debate, o tempo foi passando e aprofundou-se pouco tudo isto. É preciso falar (bem) mais!

fotografia: Bragartes

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